← Ervopédia

Losna

Artemisia absinthium L.

A rainha dos amargos — digestivo mítico europeu naturalizado no Sul do Brasil, base do absinto e do vermouth, com uma das histórias culturais mais ricas do catálogo.

Para que serve

A rainha dos amargos — digestivo mítico europeu naturalizado no Sul do Brasil, base do absinto e do vermouth, com uma das histórias culturais mais ricas do catálogo.

Digestivo amargo. Antiparasitário intestinal

Como preparar

90–95 °C. · 0,5–1 g de partes aéreas secas para 250 ml. Dose baixa é essencial.
20–30 minutos antes das refeições (digestivo amargo). Não usar à noite (estimulante).
Infusão simples, curta.

Quem deve evitar

  • Gestação — contraindicada (abortiva, neurotóxica ao feto)
  • Epilepsia — contraindicada (pró-convulsivante)
  • Lactação — evitar
  • Uso prolongado (>4 semanas) sem orientação
  • Crianças — contraindicada
  • Álcool em excesso — sinergismo de toxicidade

Abrir no Ervatório Explorar todas as ervas

ATENÇÃO — THUJONA
Aviso: conteúdo exclusivamente educacional — não substitui prescrição, diagnóstico ou aconselhamento médico. Consulte profissional de saúde qualificado antes de usar plantas medicinais, especialmente em gravidez, amamentação, uso de medicamentos ou doenças preexistentes.

Detalhe técnico

Identificação

Nome científico
Artemisia absinthium L.
Família botânica
Asteraceae
Tipo
Digestivo amargo / antiparasitário / tônico estomacal
Parte usada
Partes aéreas (folhas e ramos finos), secas.

Características

Sabor
O mais amargo do catálogo — amargor intenso, persistente, com nota mentolada fria e fundo resinoso. Só apreciável por amantes de amargos ou em uso medicinal.
Aroma
Mentolado-resinoso, herbáceo intenso, levemente defumado-feno. Característico e inconfundível.
Cor da infusão
Verde-prateado a verde-amarelado. #7A9B5C
Intensidade
5/5 para amargura; 4/5 para aroma. Infusão de presença esmagadora.

Como preparar

Temperatura
90–95 °C.
Quantidade
0,5–1 g de partes aéreas secas para 250 ml. Dose baixa é essencial.
Método
Infusão simples, curta.
Melhor momento
20–30 minutos antes das refeições (digestivo amargo). Não usar à noite (estimulante).
Combina com
Gengibre · Hortelã · Funcho (suaviza o amargo) · Mel

Ações principais

Componentes ativos

Contraindicações e cuidados

História e cultura

A losna é a planta mais carregada de história cultural do catálogo. Os egípcios a usavam como antiparasitário e afrodisíaco. Hipócrates a prescrevia para icterícia e gota. É mencionada no Apocalipse de João como "Absinto" — a estrela amarga que cai no fim dos tempos e envenena as águas. Nos séculos XVIII e XIX, o absinto — destilado de Artemisia absinthium com teor alcoólico de 45–75% — tornou-se a bebida da boêmia europeia. Van Gogh, Verlaine, Toulouse-Lautrec, Oscar Wilde, Ernest Hemingway — todos eram bebedores de absinto. A loucura do genial foi atribuída à thujona do absinto (hoje sabe-se que o álcool era o principal responsável). O absinto foi proibido em quase toda a Europa de 1905 a 1990. Na Serra Gaúcha (RS), os descendentes de imigrantes italianos e alemães mantêm a tradição de digestivos amargos com losna — chamados localmente de "amargo" ou "amargo-gaúcho".

A losna ocupa um nicho cultural específico — é a erva dos descendentes europeus do Sul, não da tradição indígena ou africana. Seu uso popular é geograficamente concentrado e etnicamente marcado, o que a torna um documento cultural sobre a pluralidade da fitoterapia brasileira.

Status regulatório

ANVISA (Brasil)
Não monografado. Regulação como fitoterápico em discussão.
EMA (Europa)
Monografia HMPC — traditional use para dispepsia.
Sazonalidade
Partes aéreas coletadas em floração (verão sulino — novembro–março)

Fontes

Fontes em revisão.

Ervas relacionadas