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Identificação
- Nome científico
- Artemisia absinthium L.
- Família botânica
- Asteraceae
- Tipo
- Digestivo amargo / antiparasitário / tônico estomacal
- Parte usada
- Partes aéreas (folhas e ramos finos), secas.
- Losna · absinto · erva-santa · artemísia-amarga
- Wormwood (inglês) · Absinth (alemão) · Absinthe (francês) · Ajenjo (espanhol)
Características
- Sabor
- O mais amargo do catálogo — amargor intenso, persistente, com nota mentolada fria e fundo resinoso. Só apreciável por amantes de amargos ou em uso medicinal.
- Aroma
- Mentolado-resinoso, herbáceo intenso, levemente defumado-feno. Característico e inconfundível.
- Cor da infusão
- Verde-prateado a verde-amarelado. #7A9B5C
- Intensidade
- 5/5 para amargura; 4/5 para aroma. Infusão de presença esmagadora.
Como preparar
- Temperatura
- 90–95 °C.
- Quantidade
- 0,5–1 g de partes aéreas secas para 250 ml. Dose baixa é essencial.
- Método
- Infusão simples, curta.
- Melhor momento
- 20–30 minutos antes das refeições (digestivo amargo). Não usar à noite (estimulante).
- Combina com
- Gengibre · Hortelã · Funcho (suaviza o amargo) · Mel
Ações principais
- Digestivo amargo (estimula secreções gástricas, pancreáticas e biliares)
- Antiparasitário intestinal (Ascaris, Enterobius)
- Antimicrobiano
- Antipirético
- Tônico estomacal
- Anti-inflamatório
- Gestação — contraindicada (abortiva, neurotóxica ao feto)
- Epilepsia — contraindicada (pró-convulsivante)
- Lactação — evitar
- Uso prolongado (>4 semanas) sem orientação
- Crianças — contraindicada
- Álcool em excesso — sinergismo de toxicidade
Componentes ativos
- ABSINTINA, ARTABSINA (lactonas sesquiterpênicas) — Amargo digestivo intenso
- THUJONA (alfa e beta) — Neurotóxica em dose alta; aromatizante em dose baixa
- AZULENO — Anti-inflamatório
- CHAMAZULENO — Anti-inflamatório (semelhante à camomila)
- ÁCIDO CLOROGÊNICO — Antioxidante
- FLAVONÓIDES — Anti-inflamatório, antioxidante
Contraindicações e cuidados
- Gestação — contraindicada (abortiva, neurotóxica ao feto)
- Epilepsia — contraindicada (pró-convulsivante)
- Lactação — evitar
- Uso prolongado (>4 semanas) sem orientação
- Crianças — contraindicada
- Álcool em excesso — sinergismo de toxicidade
História e cultura
A losna é a planta mais carregada de história cultural do catálogo. Os egípcios a usavam como antiparasitário e afrodisíaco. Hipócrates a prescrevia para icterícia e gota. É mencionada no Apocalipse de João como "Absinto" — a estrela amarga que cai no fim dos tempos e envenena as águas. Nos séculos XVIII e XIX, o absinto — destilado de Artemisia absinthium com teor alcoólico de 45–75% — tornou-se a bebida da boêmia europeia. Van Gogh, Verlaine, Toulouse-Lautrec, Oscar Wilde, Ernest Hemingway — todos eram bebedores de absinto. A loucura do genial foi atribuída à thujona do absinto (hoje sabe-se que o álcool era o principal responsável). O absinto foi proibido em quase toda a Europa de 1905 a 1990. Na Serra Gaúcha (RS), os descendentes de imigrantes italianos e alemães mantêm a tradição de digestivos amargos com losna — chamados localmente de "amargo" ou "amargo-gaúcho".
A losna ocupa um nicho cultural específico — é a erva dos descendentes europeus do Sul, não da tradição indígena ou africana. Seu uso popular é geograficamente concentrado e etnicamente marcado, o que a torna um documento cultural sobre a pluralidade da fitoterapia brasileira.
Status regulatório
- ANVISA (Brasil)
- Não monografado. Regulação como fitoterápico em discussão.
- EMA (Europa)
- Monografia HMPC — traditional use para dispepsia.
- Sazonalidade
- Partes aéreas coletadas em floração (verão sulino — novembro–março)