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Identificação
- Nome científico
- Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. (sin.: Mimosa hostilis)
- Família botânica
- Fabaceae / Mimosoideae
- Tipo
- Fitoterápico cicatrizante e ritual
- Parte usada
- Casca da raiz e do caule (uso medicinal); casca da raiz (uso ritual — contém DMT em concentrações variáveis).
- Jurema-preta · jurema-branca (espécie diferente) · tepezcohuite (México)
- Mimosa hostilis (sinonímia botânica rejeitada, ainda usada comercialmente)
- ATENÇÃO: A casca da raiz contém DMT (N,N-dimetiltriptamina) — substância psicoativa controlada no Brasil e em diversos países. Uso ritual regulamentado exclusivamente no contexto do culto da jurema e religiões afro-brasileiras reconhecidas.
Características
- Sabor
- Amargo-adstringente intenso, tanino pronunciado, fundo terroso de sertão.
- Aroma
- Terra seca, madeira queimada, tanino seco, fundo levemente defumado.
- Cor da infusão
- Marrom-escuro opaco, quase preto em infusões concentradas. #2D1B0E
- Bioma de origem
- Caatinga — espécie característica da região semiárida, adaptada ao clima de extremos.
Ações principais
- Cicatrizante acelerador de epitelização
- Antibacteriano (amplo espectro)
- Anti-inflamatório tópico
- Antifúngico
- Analgésico tópico
- Contraindicações: Uso interno da casca da raiz sem contexto ritual/clínico supervisionado — contraindicado (DMT). Gestação — evitar uso interno. Crianças — apenas uso tópico supervisionado.
Componentes ativos
- TANINOS (13–15% na casca) — Adstringente, antibacteriano, cicatrizante
- SAPONINAS — Anti-inflamatório, antifúngico
- ALCALÓIDES (incluindo DMT na raiz) — Psicoativo (raiz); modulação nervosa (traços em casca do caule)
- LUPEOL, BETA-SITOSTEROL — Anti-inflamatório
- MIRICETINA, NARINGENINA — Antioxidante
História e cultura
A jurema é planta sagrada no Nordeste brasileiro há milênios — artefatos arqueológicos com sementes de jurema foram encontrados em sítios da Tradição Agreste (Pernambuco), datados de 2000–3000 anos. O culto da jurema — sistema espiritual indígena nordestino que incorporou elementos afro-brasileiros — é um dos fenômenos religiosos mais singulares do Brasil, com rituais de uso do "vinho da jurema" (bebida ritual da casca da raiz) documentados desde o século XVII. O tepezcohuite mexicano tornou-se internacionalmente conhecido após a explosão de gás na Cidade do México (1984) — a planta foi usada em massa para tratar queimados, com resultados documentados que geraram interesse científico global.
A jurema é objeto de disputas legais e culturais complexas. O culto da jurema foi proibido pelo Estado brasileiro em períodos históricos e hoje é protegido como patrimônio cultural imaterial. A planta navega entre o status de fitoterápico cicatrizante (uso medicinal documentado), patrimônio espiritual indígena e substância psicoativa regulamentada — três categorias que raramente coexistem na mesma espécie.
Status regulatório
- ANVISA (Brasil)
- Uso tópico popular reconhecido. Casca da raiz: contém DMT — substância controlada.
- Sazonalidade
- Colheita de casca: preferência estação seca